Relatório da ONU: economia sustentável possibilitará a criação de milhões de novos empregos

green_jobs_final

Milhões de novos empregos serão criados pela transição a uma economia global de baixa emissão de carbono, revela um estudo preliminar do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) divulgado ontem na conferência sobre mudanças climáticas em Bali. O relatório, entitulado Green Jobs: Can the Transition to Environmental Sustainability Spur New Kinds and Higher Levels of Employment?, revela que o desenvolvimento de uma economia baseada em tecnologias sustentáveis possibilitará a criação de novos postos de trabalho na construção civil, em atividades de reflorestamento e agricultura, além das áreas de engenharia e transporte.

O relatório, que será lançado formalmente no início do próximo ano, informa que o “boom” de empregos verdes já está ocorrendo, com centenas de milhares de empregos criados na Alemanha e Espanha como resultado dos programas de energia renovável, e uma estimativa de 5,3 milhões de empregos criados na indústria do meio ambiente nos EUA durante o ano de 2005. Confirmando-se a atual tendência, a Alemanha terá mais empregos na área de tecnologias ambientais do que em seu setor automotivo no ano de 2020.

 UNEP

Anúncios

A empresa eco-amigável e os ganhos indiretos

green_careers

A maioria das empresas estão adotando uma postura eco-responsável – ou o tão pronunciado “going green” – mas também estão descobrindo que ajudar o meio ambiente não é o único benefício: uma política “verde” pode facilitar a contratação de jovens talentos, aumentar a produtividade e reduzir custos. Segundo a americana Lindsey Pollak, autora do livro “Getting from college to career“,

Os estudantes pretendem trabalhar em empresas que dêem importância ao meio ambiente. O fato de uma empresa ter uma política “verde” é tão importante para esses jovens quanto a diversidade étnica, a globalização e o equilíbrio trabalho-diversão.

Uma pesquisa recente realizada pela MonsterTRAK.com sobre empregos “verdes” revelou que 80% dos jovens profissionais norte-americanos estão interessados em permancer em um emprego que tenha um impacto positivo sobre o meio ambiente, e 92% prefeririam trabalhar em empresas que se importam com questões ecológicas. E está ficando cada vez mais fácil para esses jovens trabalharem em empresas com essas características. O Green Building Council norte-americano, uma organização sem fins lucrativos responsável pela emissão do LEED – Leadership in Energy and Environmental Design –, certificado que avalia o quão verde é uma construção, informa que foram registrados cerca de 200 milhões de metros quadrados nos últimos sete meses. Isso é muito pouco tempo comparado aos sete anos necessários para o registro dos primeiros 100 milhões de metros quadrados realizado pelo conselho.

Para atrair os jovens talentos, as empresas estão incluindo detalhes sobre sua política ambiental em seus catálogos de ofertas de emprego distribuídos nas universidades americanas. Um exemplo disso é a fabricante de papel NewPage Corp que destaca em sua brochura o compromisso ambiental da empresa e o fato de sua sede utilizar 30% menos energia do que um escritório comum.

No mês passado, para satisfazer a demanda de estudantes interessados em trabalhar para empresas “verdes”, a MonsterTRAK, juntamente com a ecoAmerica, um grupo ambiental sem fins lucrativos, lançaram o GreenCareers. O site lista vagas em empresas que reduzem seu impacto sobre o ambiente, facilitando o contato entre os estudantes e uma companhia que atenda seus objetivos ambientais.

Estudos preliminares, incluindo um realizado pela Canada Green Building Council, têm relacionado os ambientes internos eco-amigáveis a uma maior produtividade e menor absenteísmo. Locais de trabalho “verdes” tendem a utilizar mais iluminação natural, o que pode melhorar o humor dos empregados. Além disso, esses ambientes utilizam sistemas avançados de filtração de ar, o que diminui os problemas respiratórios como asma e sinusite.

Outro benefício alcançado por uma postura eco-amigável é a possibilidade de redução dos custos operacionais. Através da instalação de sensores de iluminação, dímeres e de um telhado refletivo, a fabricante de semicondutores Texas Instruments Inc. diminuiu a energia gasta com ilumininação em 80% em seu prédio de escritórios. De acordo com Paul Westbrook, gerente de desenvolvimento sustentável da Texas,

Somente no primeiro ano, observamos uma economia de $1 milhão de dólares em eletricidade e água e essa economia irá continuar a crescer até chegarmos a $4 milhões por ano.

Via The Wall Street Journal